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sábado, 2 de maio de 2015

Amigos? Amigos! Haaa ... os amigos

Eu sou uma pessoa que tem poucos, porém, bons amigos.
Na vida em terra, tenho amigos de mais de 10 anos. Uns com uma continuidade outras com uma pausa e retorno sem que nada mudasse. Acho isso bem legal!
No mar, ter amigos é uma necessidade. 
Se não tens um amigo para desabafar, ou pra tomar uma cervejinha pós expediente, ou simplesmente pra te fazer companhia, tu enlouqueces. O sotaque gaúcho que lestes agora é um dos sinais de ter amigos por todo o canto!
O mais engraçado é quando um desses teus amigos vai embora, ou porque o contrato acabou, ou por desistência, você sente um vazio tão horroroso, que na minha concepção, é similar ao da morte (exagero ou não, isso foi o que senti da primeira vez).
Eu lembro que no meu primeiro embarque, eu conheci um rapaz muito gente boa, inteligente e que sabia exatamente o que queria a bordo. Eu embarquei no dia 12 de agosto de 2011 e ele já estava lá quando eu cheguei. Mas ele foi embora no dia 14 de setembro. Nesse dia, eu andava pelo porto de Savona na Itália aos prantos porque eu não tinha conseguido dar tchau pra ele. Era como se um familiar muito próximo tivesse morrido e eu não tinha conseguido ir ao funeral. Estranho, mas foi isso o que aconteceu.
Aos poucos, fui aprendendo o valor das amizades dentro da casa de lata, especialmente quando fui transferido para outro navio.
Nesse novo navio, eu reencontrei pessoas que eu havia conhecido no decorrer do processo de embarque e conheci pessoas maravilhosas que fazem parte da minha vida até hoje.
Era muito estranho como éramos felizes dentro daquele navio, apesar de toda adversidade encontrada por nós la dentro. Era sempre um dando apoio ao outro. Quando um pensava em desistir, vinha outro e dava todo o apoio moral e, as vezes, físico.
Da mesma forma que eu chorei muito quando esse meu amigo desembarcou, eu vi uma amiga muito querida chorar muito quando, faltando um mês para o final do meu contrato, eu precisei desembarcar por motivos médicos. Foi uma sensação muito estranha, pois eu sabia exatamente o que ela estava sentindo, e eu sabia, também, que (pra mim), não seria nada demais eu desembarcar, e que quando fosse a vez dela, nós nos encontraríamos para tomar um sorvete (o que de fato aconteceu).
SEN SA CI O NAL é saber que verdadeiras amizades podem sim ser feitas em ambientes contrários, que a diversidade cultural, nacional, territorial ou seja lá qual for o AL nos permitir usar.
Aos amigos de terra, eu agradeço por me darem tchau, toda vez que eu preciso e dizer oi quando eu retorno.
Aos amigos de mar, eu agradeço por me dizerem oi quando eu chego na nossa casa de lata e tchau quando o nosso tempo junto terminou.



Verdadeiras Amizades Nunca Acabam


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Mira no Mapa Mundi e vai! ... ou talvez não!

É engraçado como as pessoas vêem seu futuro.
Quando eu era mais novo, eu imaginava minha vida completamente diferente do que ela é agora.
Aos 15 anos, eu imaginava que quando eu estivesse beirando os 30, eu estaria 'num emprego estável', no 'meu próprio apartamento', num 'relacionamento sério' e 'pronto para ter um filho'.

SABE DE NADA INOCENTE!

A vida toma uns rumos tão inesperados que é impossível prever o futuro dos próximos 5 minutos.
A bordo dos navios, eu vejo os mais variados tipos de futuros sendo escritos (e até mesmo reescritos).
Em alguns casos, os tripulantes juntam um bom montante de dinheiro, compram uma dessas mochilas enormes onde cabe tudo, procuram um Mapa Mundi e jogam um dardo. 
Já vi tripulantes saírem do navio e irem direto para a Indonésia. 
Outros com mais calma e planejamento fazerem mochilões ao redor da Europa. 
Ah! O destino predileto dos tripulantes é a Europa mesmo, que alem da entrada nos países ser mais fácil, é mais barato e muito mais divertido.
Há também aqueles que estão super preocupados com o futuro, que mesmo ainda dentro do navio, dão um jeito de fazer mais dinheiro, como por exemplo, lavando roupa dos tripulantes, limpando as cabines, ou até mesmo fazendo os extra jobs* que todo navio exige que você faça depois do expediente. Esses, em muitos casos, são tripulantes que são casados e/ou com filhos.
Mas pra falar a verdade, a maioria está lá por um único motivo: Viajar de graça. ganhar em dólar e conhecer o mundo da forma mais estranha possível.
E olha, eu aconselho você, que tem 18 anos ou mais, fala inglês, e não tem ideia do que fazer na vida, aplique para trabalhar em navios de cruzeiro.
Isso vai te abrir mais os horizontes para saber o que você, de fato, quer fazer da vida. E outra, ninguém está preparado para escolher o que quer fazer da vida com tão pouca idade.
Nos sites abaixo você encontra uma lista de agências especializadas em embarque. 
Pesquise bem antes de decidir em qual agência aplicar.

www.ceceth.com.br
www.infinitybrazil.com.br
www.ismbr.net
www.portsideagencia.com.br
www.grupovalemar.com

Lembre-se que a vida é muito curta pra fazer o que não te dá prazer. 


*Extra Jobs - Trabalhos Extras que ajudam na organização do navio. Ninguém gosta de fazer, mas é um mal necessário.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O Par Ideal!

Eu não entendo esse negócio de 'alma gêmea'.
Você nasce, daí fica boa parte da tua vida adulta procurando AQUELA pessoa. 
Seria mais fácil se já viesse com uma nota: 'Pertence á Fulano e vice versa'. Poxa, pouparia um tempão de nossas vidas né.
Mas tiraria todo aquele furdunço de, enquanto não acha o certo, vai com o errado mesmo. E seria um porre assim.
Eu lembro que sempre que a gente chegava num porto em dia de embarque de tripulação, eu falava pros meus amigos: 'É hoje que o amor da minha vida vai entrar por aquele saguão, nós vamos nos olhar e será amor a primeira vista'. Infelizmente isso nunca aconteceu. Mas de uma forma ou outra, eu nunca perdi a esperança de um dia olhar alguém e pensar ... PRONTO, ACHEI!
Acho até que eu já achei, mas o universo ainda não quer que nós fiquemos juntos. Não tem problema.
Nesse meio tempo, eu vou divertindo com as 'pessoas erradas' mesmo.

Ha! Nesse tempo de mar, eu vi casais se formarem e deformarem. Dois casos em específico são muito interessantes.
No primeiro, ela, que era noiva até embarcar, percebeu que sua vida dali pra frente seria diferente. E que pra crescer, ela teria que deixar o passado pra trás e olhar para o futuro.
Ele, um guri que 'tava solto na pista', viu a oportunidade e não dispensou. 
Hoje são um casal que estão na luta para que o futuro seja brilhante em terra.
O segundo, mais recente, é a versão da frase Nunca Te Vi, Sempre Te Amei! 
Ela, uma mulher simples, que adora passar o tempo com os amigos, saída de um relacionamento um tanto quanto conturbado, encontrou no mar a paz que lhe faltava.
Ele, um rapaz bonito, que fazia um sucesso com sua beleza e simpatia, estava ali para o que viesse e também não dispensou a oportunidade. 
Hoje, devidamente casados, estão na luta para que o futuro seja brilhante. Apesar de ainda estarem no mar, não se vêem fazendo isso por muito mais tempo.

Tem uma música americana que diz assim: "We found love in a hopeless place", que é a tradução perfeita para esses sortudos que encontraram num lugar cheio de poucas esperanças o seu verdadeiro amor.